quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O cristão pode ser filósofo ?

Claro que sim.
No meio evangélico, nem todos demonstram uma postura favorável em relação à filosofia,citando a advertência de Paulo em Colossenses 2.8, que diz: “Cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias...”.

Alguns ficam duvidosos sobre a maneira como se comportarem diante da filosofia. Alguns têm seguido Tertuliano, um dos pais da Igreja: “O que tem Atenas a ver com Jerusalém? Que concordância há entre a academia e a Igreja?”. Outro têm seguido Tomás de Aquino e encarado a filosofia como proveitosa, “servente para a teologia”.

Eu tenho alguns livros de filosofia em casa. Gosto de estudar a filosofia (do grego Φιλοσοφία: philos - que ama + sophia - sabedoria, « que ama a sabedoria »).
A filosofia consiste no estudo das características mais gerais e abstratas do mundo e das categorias com que pensamos. Pensamento vem da palavra Epistemologia "Episteme" significa "ter ciência" "logia" significa estudo.

Didaticamente, a Filosofia divide-se em:
* Epistemologia ou teoria do conhecimento: trata da natureza crença, da justificação e do conhecimento.
* Ética: trata do certo e do errado, do bem e do mal.
* Filosofia da Arte ou Estética: trata do belo.
* Lógica: trata da preservação da verdade e dos modos de se evitar a inferência e raciocínio inválidos.
* Metafísica ou ontologia: trata da realidade, do ser e do nada.

No versículo citado, Paulo está claramente atacando uma forma peculiar de crença, mas é impossível identificá-la. Eu posso relacionar com qualquer uma das grandes escolas de filosofia conhecidas por nós do mundo greco-romano. A palavra grega filosofia (e seu cognato em latim) tinha uma variedade de significados na época de Paulo, dependendo do contexto, poderia ser traduzida para “religião”, “especulação” ou “investigação”.

Eu não acredito que Paulo está rejeitando o estudo da filosofia em Colossenses 2.8, mas, mesmo assim, essa passagem contém uma importante advertência que os cristãos precisam observar com atenção. Muitas vezes, o que separa a verdadeira sabedoria da falsa sabedoria é uma linha tênue que pode ser facilmente obscurecida por pessoas com motivos errados. A advertência de Paulo contra a “sabedoria deste mundo”  (1Colossenses 1.20) deve servir para nos manter atentos aos perigos de rigorosas buscas intelectuais por conhecimento. Os cristãos precisam compreender os argumentos de quem pensa diferente e devemos estar preparados no mundo das ideias (a exemplo de Paulo, em Atenas), mas também precisam ser cuidadosos, a fim de não tirarem seus olhos daquele que é o Autor e Consumador da nossa fé (Hebreus 12.2).